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Contorno de Apucarana

Análise de Estruturas de Pavimento

1. Introdução

Contexto

Este documento apresenta a análise técnica e orçamentária de alternativas de estruturas de pavimento para o Contorno de Apucarana, desenvolvida pela Manta Associados para a Motiva.

Objetivo

Comparar quatro alternativas de pavimento (A0, A1, A2, A3) em relação ao Caso Base (CB) apresentado no leilão, considerando:

  • Desempenho técnico e adequação ao tráfego previsto
  • Custos de implantação (CAPEX)
  • Riscos técnicos e construtivos
  • Impactos potenciais no OPEX de manutenção

Metodologia

A análise foi estruturada em três etapas principais:

1

Análise Técnica

Avaliação das características estruturais, pontos positivos e negativos de cada alternativa

2

Análise Orçamentária

Comparação de custos com base em duas referências independentes (Caso Base e Consag)

3

Síntese Integrada

Posicionamento das alternativas em matriz CAPEX × Risco Técnico

Alternativas Analisadas

CB
Caso Base
Referência do leilão (Bloco 2B)
A0
Estrutura Atual
Semirrígida (base cimentada)
A1
Flexível Reforçado
Sem camadas cimentadas
A2
Base Asfáltica
ATB/EME de alto módulo
A3
Semirrígido Otimizado
Com camada antirreflexão
Importante: As análises apresentadas possuem caráter orientativo e comparativo, não constituindo projeto executivo de pavimentação. Recomenda-se validação por projetista especializado previamente à adoção definitiva.

2. Dados de Tráfego

Os dados de tráfego foram extraídos do Relatório Técnico e servem como base para o dimensionamento estrutural de todas as alternativas.

Parâmetros de Tráfego

Classificação
TH01
Período de Projeto
30 anos
Número N (USACE)
1,5 × 10⁸
Caracterização
Tráfego Muito Pesado

Observações

  • O tráfego previsto é classificado como muito pesado, exigindo estruturas robustas e duráveis
  • Todas as alternativas foram dimensionadas para atender ao mesmo nível de tráfego (TH01)
  • A variação de custos entre alternativas reflete diferentes estratégias estruturais para o mesmo desempenho esperado

3. Estruturas de Pavimento

Esta seção apresenta a composição das estruturas de pavimento de cada alternativa, detalhando as camadas, espessuras e materiais especificados.

A0 - Estrutura Atual (Semirrígida)

Espessura Total: 102 cm
CA – EGL 12,5 mm CAP borracha (AB-8)
3 cm
Binder BN 25 mm CAP borracha (AB-8)
6 cm
BGMC 2% em peso de cimento
15 cm
BGTC 3% em peso de cimento
18 cm
CFT Tratamento da camada final
60 cm

A1 - Pavimento Flexível Reforçado

Espessura Total: 51-63 cm + regularização
CA CAP modificado (trechos críticos)
4 cm
Binder BN Camada intermediária
7-9 cm
Base Granular BGS Controle rigoroso
20-25 cm
Sub-base Granular Material granular
20-25 cm
Regularização Subleito Conforme necessidade
Variável

A2 - Base Asfáltica (ATB/EME)

Espessura Total: 40-49 cm
CA Camada de rolamento
4 cm
Binder BN Camada intermediária
6 cm
Base Asfáltica ATB/EME Alto módulo
10-14 cm
Sub-base Granular Material granular
20-25 cm

A3 - Semirrígido Otimizado

Espessura Total: 9-10 cm + camadas ajustadas
CA CAP modificado
4 cm
Binder BN Espessura aumentada
5-6 cm
Camada Antirreflexão SAMI ou geossintético
Variável
Base Cimentada (ajustada) Teor cimento otimizado
Variável
Subleito Tratado Conforme projeto
Variável

Principais Diferenças

  • A0 (Semirrígida): Base e camada tratadas com cimento
  • A1 (Flexível): Sem cimento, maior espessura asfáltica
  • A2 (Base Asfáltica): Base asfáltica de alto módulo (ATB/EME)
  • A3 (Otimizada): Semirrígida com camada antirreflexão

4. Análise das Alternativas

Análise técnica comparativa das alternativas, destacando pontos positivos e pontos negativos de cada solução, sem classificação ou recomendação direta.

A0

Estrutura Atual (Semirrígida)

Alternativa proposta pela área de Novos Negócios da Motiva e atualmente utilizada como referência para o desenvolvimento do projeto básico

Pontos Positivos

  • Alta capacidade estrutural, adequada a níveis elevados de tráfego (TH01 alto)
  • Boa distribuição de tensões proporcionada pela base tratada com cimento
  • Redução da dependência de grandes espessuras asfálticas com impacto positivo no CAPEX inicial
  • Uso de ligante asfáltico modificado (CAP borracha) nas camadas superiores contribuindo para maior resistência à fadiga
  • Tratamento do subleito reduzindo a variabilidade de desempenho associada às condições geotécnicas
  • Estrutura coerente com práticas adotadas em rodovias concessionadas com tráfego pesado

Pontos Negativos

  • Risco de trincamento por retração hidráulica nas camadas cimentadas com potencial propagação para as camadas asfálticas (trinca refletida)
  • Ausência explícita de camada antirreflexão dedicada (como SAMI ou geossintéticos), transferindo toda a mitigação para o uso de CAP borracha
  • Espessura relativamente reduzida das camadas asfálticas aumenta a sensibilidade a erros de execução, variações de tráfego ou falhas localizadas de drenagem
  • Elevada sensibilidade construtiva - camadas cimentadas exigem controle rigoroso de dosagem, homogeneização, cura e fissuração
  • Potencial aumento do risco de OPEX caso ocorram manifestações precoces de trincamento
A1

Flexível Reforçado

Primeira alternativa técnica desenvolvida pela Manta, sem utilização de camadas tratadas com cimento

Pontos Positivos

  • Eliminação do risco de trincamento por retração hidráulica (ausência de camadas cimentadas)
  • Maior tolerância a variações construtivas e de materiais, reduzindo sensibilidade executiva
  • Facilidade de reparo e manutenção localizada sem necessidade de remoção de grandes áreas
  • Comportamento mais previsível ao longo do tempo, com menor variabilidade de desempenho
  • Adequação a contextos onde o controle tecnológico de camadas cimentadas é mais desafiador
  • Menor risco de OPEX associado a patologias estruturais precoces

Pontos Negativos

  • Maior espessura total de pavimento, aumentando custos de terraplenagem e volume de materiais
  • Dependência de controle rigoroso da qualidade das camadas granulares para garantir desempenho
  • Maior sensibilidade a problemas de drenagem e infiltração de água nas camadas de base
  • Risco de deformação permanente (afundamento de trilha de roda) caso haja falhas no controle tecnológico
  • CAPEX inicial mais elevado em comparação com alternativas semirrígidas
A2

Base Asfáltica (ATB/EME)

Segunda alternativa técnica desenvolvida pela Manta, baseada em base asfáltica estrutural

Pontos Positivos

  • Máxima robustez estrutural, com base asfáltica de alto módulo (ATB/EME) proporcionando excelente distribuição de cargas
  • Eliminação total do risco de trincamento por retração (ausência de camadas cimentadas)
  • Menor espessura total de pavimento em comparação com alternativas flexíveis convencionais
  • Elevada durabilidade e vida útil, com menor necessidade de intervenções de manutenção
  • Comportamento estrutural altamente previsível e consolidado internacionalmente
  • Ideal para trechos críticos com solicitações de tráfego mais severas

Pontos Negativos

  • CAPEX inicial significativamente mais elevado (60-67% acima do Caso Base)
  • Dependência de controle tecnológico rigoroso na execução da base asfáltica (temperatura, compactação, dosagem)
  • Menor disponibilidade de fornecedores e equipamentos especializados para ATB/EME no Brasil
  • Necessidade de planejamento logístico mais complexo para garantir continuidade da execução
  • Risco de custos adicionais caso haja necessidade de ajustes ou retrabalhos durante a obra
A3

Semirrígido Otimizado

Terceira alternativa técnica desenvolvida pela Manta, mantendo o conceito semirrígido com ajustes voltados à mitigação de riscos

Pontos Positivos

  • Mantém a robustez estrutural das camadas cimentadas com mitigação de riscos de fissuração
  • Incorporação de camada antirreflexão (SAMI ou geossintético) reduzindo propagação de trincas
  • Espessura aumentada de camadas asfálticas superiores para maior tolerância a patologias
  • Equilíbrio entre CAPEX e desempenho técnico, com custo intermediário
  • Ajuste do teor de cimento para reduzir retração e fissuração excessiva
  • Alternativa de compromisso entre robustez semirrígida e mitigação de riscos

Pontos Negativos

  • Ainda mantém risco residual de trincamento, mesmo com medidas de mitigação
  • Dependência da eficácia da camada antirreflexão, que pode variar conforme execução
  • Necessidade de controle tecnológico rigoroso tanto nas camadas cimentadas quanto na camada antirreflexão
  • CAPEX ligeiramente superior ao da alternativa A0 (17-22% acima do Caso Base)
  • Complexidade executiva aumentada pela incorporação de camada adicional

5. Comparação Orçamentária

Metodologia

A análise orçamentária foi realizada com base em duas referências independentes de custos unitários, aplicadas de forma consistente a todas as alternativas:

1ª Referência - Custos Caso Base:

Custos extraídos da planilha do Bloco 2B (base ABR/23 atualizada para NOV/24 via IPCA)

2ª Referência - Custos Consag:

Custos da proposta Consag para o mesmo escopo (base NOV/24)

Referência: Custos Caso Base

Tronco (Pista + Acostamento)

Alternativa Custo (R$/m²) Δ% vs CB
CB - Caso Base (Bloco 2B) 187.11
A0 - Estrutura Atual (Semirrígida) 168.19 -9.5%
A1 - Flexível Reforçado 219.06 +17.8%
A2 - Base Asfáltica (ATB/EME) 308.88 +66.1%
A3 - Semirrígido Otimizado 217.36 +16.9%

Dispositivos (Pista + Acostamento)

Alternativa Custo (R$/m²) Δ% vs CB
CB - Caso Base (Bloco 2B) 160.49
A0 - Estrutura Atual (Semirrígida) 156.29 -7.2%
A1 - Flexível Reforçado 173.71 +3.1%
A2 - Base Asfáltica (ATB/EME) 300.11 +78.2%
A3 - Semirrígido Otimizado 204.53 +21.4%

Total (Tronco + Dispositivos)

Alternativa Custo (R$/m²) Δ% vs CB
CB - Caso Base (Bloco 2B) 183.28
A0 - Estrutura Atual (Semirrígida) 166.56 -9.2%
A1 - Flexível Reforçado 212.84 +16.0%
A2 - Base Asfáltica (ATB/EME) 307.67 +67.7%
A3 - Semirrígido Otimizado 215.60 +17.5%

Referência: Custos Consag

Tronco (Pista + Acostamento)

Alternativa Custo (R$/m²) Δ% vs CB
CB - Caso Base (Bloco 2B) 198.93
A0 - Estrutura Atual (Semirrígida) 203.22 +3.3%
A1 - Flexível Reforçado 234.58 +19.2%
A2 - Base Asfáltica (ATB/EME) 319.67 +62.5%
A3 - Semirrígido Otimizado 232.60 +18.2%

Dispositivos (Pista + Acostamento)

Alternativa Custo (R$/m²) Δ% vs CB
CB - Caso Base (Bloco 2B) 180.22
A0 - Estrutura Atual (Semirrígida) 176.93 -0.7%
A1 - Flexível Reforçado 183.09 +2.7%
A2 - Base Asfáltica (ATB/EME) 307.04 +72.3%
A3 - Semirrígido Otimizado 216.60 +21.5%

Total (Tronco + Dispositivos)

Alternativa Custo (R$/m²) Δ% vs CB
CB - Caso Base (Bloco 2B) 196.36
A0 - Estrutura Atual (Semirrígida) 199.61 +2.8%
A1 - Flexível Reforçado 227.52 +17.2%
A2 - Base Asfáltica (ATB/EME) 317.94 +63.7%
A3 - Semirrígido Otimizado 230.40 +18.6%

6. Síntese Técnico-Econômica

A integração das análises orçamentárias com o Relatório Técnico permite posicionar as alternativas de pavimento em termos de equilíbrio entre CAPEX inicial e risco técnico.

Posicionamento: CAPEX × Risco Técnico

A0 - Estrutura Atual

CAPEX Relativo: MENOR
Risco Técnico: ALTO

Menor CAPEX (especialmente na base CB), mas maior risco técnico devido a trincamento e sensibilidade construtiva das camadas cimentadas.

A1 - Flexível Reforçado

CAPEX Relativo: MÉDIO (+15-20%)
Risco Técnico: MÉDIO

CAPEX intermediário, associado a menor risco de trinca refletida e maior simplicidade construtiva. Risco de deformação permanente requer controle tecnológico.

A2 - Base Asfáltica

CAPEX Relativo: MAIOR (+60-67%)
Risco Técnico: BAIXO

Maior CAPEX, compensado por elevada robustez estrutural e menor risco de patologias. Alternativa mais conservadora, indicada para trechos críticos.

A3 - Semirrígido Otimizado

CAPEX Relativo: MÉDIO (+17-22%)
Risco Técnico: MÉDIO-BAIXO

Equilíbrio entre CAPEX e risco, mantendo robustez do semirrígido e reduzindo riscos de fissuração através de medidas de mitigação.

Observações Gerais

Tendências consistentes: As duas referências de custo (Caso Base e Consag) apresentam tendências similares, reforçando a robustez das conclusões.
Dispositivos amplificam diferenças: As diferenças de custo entre alternativas são mais pronunciadas nos dispositivos, especialmente para soluções de maior desempenho estrutural.
Equilíbrio necessário: Alternativas com menor CAPEX inicial tendem a apresentar maior exposição a riscos técnicos e de OPEX, enquanto soluções com maior investimento inicial oferecem maior previsibilidade de desempenho.
Decisão integrada: A decisão final deve considerar não apenas o custo inicial, mas o equilíbrio entre CAPEX, risco técnico e estratégia de manutenção ao longo da concessão.

Considerações Finais

A MOTIVA deve avaliar as alternativas apresentadas em conjunto com suas premissas de concessão, disponibilidade de materiais locais e estratégia de manutenção de longo prazo.

Recomenda-se que, previamente à adoção definitiva de qualquer das alternativas, a solução selecionada seja submetida à análise, validação e detalhamento por projetista especializado em pavimentação rodoviária.

As análises apresentadas possuem caráter orientativo e comparativo, não constituindo projeto executivo de pavimentação.